| Número de pacientes com Parkinson deve aumentar nos próximos vinte anos |
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Débora Martins Eleni Gritzapis
Evolução da doença poderá ser retardada com o uso do
pramipexol
Segundo dados do censo de 2000, divulgados no último dia 25
de julho pelo IBGE, 8,6% da população brasileira tem 60 anos de idade ou
mais, o que significa quase 15 milhões de pessoas. Nos próximos 20 anos,
ainda de acordo com o IBGE, o número de idosos no Brasil poderá ultrapassar
a marca de 30 milhões e deverá representar quase 13% da população ao final
deste período.
O aumento do número de pessoas com mais de 60 anos vai significar também o crescimento da quantidade de idosos com a doença de Parkinson. Segundo dados da Associação Brasil Parkinson (ABP), existem no país cerca de 220 mil pacientes com Parkinson no País, ou quase 2% dos 174 milhões de brasileiros. A doença de Parkinson é caracterizada pela morte dos neurônios que produzem a dopamina, substância responsável pelo controle da coordenação motora e dos movimentos voluntários no corpo humano. Mesmo com as inúmeras pesquisas que são feitas em todo o mundo, as causas desta morte ainda são desconhecidas. Recentemente, estudo publicado no Journal of the American Medical Association (JAMA) demonstrou que o pramipexol, princípio ativo do medicamento Mirapex®, pode, potencialmente, proteger os neurônios dopaminérgicos, produtores da dopamina. A nova pesquisa que demonstrou as propriedades neuroprotetoras do pramipexol foi realizada durante quatro anos com 81 parkinsonianos nos Estados Unidos. Os cientistas descobriram que os pacientes tratados com pramipexol apresentaram uma queda menor na atividade neuronal dopaminérgica, em relação àqueles que utilizaram a levodopa – tradicional substância usada no tratamento da doença de Parkinson. Para o neurologista João Carlos Papaterra Limongi, doutor em Neurologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, os resultados da pesquisa "são mais uma evidência de que existe a possibilidade de retardar a progressão da doença". De acordo com o especialista, "a propriedade neuroprotetora do pramipexol sugerida pelo estudo significa um grande avanço no tratamento da doença de Parkinson". Viver e conviver com Parkinson Os principais sintomas da doença são tremores involuntários nas mãos, rigidez muscular e lentidão de movimentos. O tremor de mãos e dedos é chamado de tremor de repouso, porque ele ocorre quando o paciente não está executando nenhum movimento. A rigidez muscular afeta o rosto, braços, pernas e até o pescoço. O rosto fica rígido e parece estar congelado. Vale lembrar que a lentidão de movimentos nem sempre é notada de imediato pelas pessoas. O parkinsoniano demora mais tempo para realizar tarefas como banhar-se, vestir-se, cozinhar ou escrever. A doença atinge principalmente pessoas com mais de 50 anos, com uma pequena predominância nos homens. Quando os primeiros sintomas são diagnosticados, já houve um comprometimento de cerca de 50% a 60% dos neurônios dopaminérgicos do cérebro. Nas fases mais avançadas, a doença de Parkinson pode comprometer a vida do paciente, uma vez que a falta de controle dos movimentos pode resultar em dificuldade na deglutição dos alimentos, além de enfraquecer o organismo e abrir espaço para doenças oportunistas. O apoio da família é essencial para que o paciente viva melhor com a doença de Parkinson. "Muitas vezes a família acha que o idoso está com má vontade, preguiça, fazendo birra", afirma Papaterra. "Mas é importante que a família entenda que o doente de Parkinson não tem controle sobre seus movimentos e que a doença é flutuante. De um momento para o outro o idoso pode passar da mobilidade para a imobilidade", explica. No País, a Associação Brasil Parkinson (ABP) desenvolve um trabalho para o atendimento do paciente e orientação dos familiares. Na entidade, parkinsonianos e cuidadores – denominação para quem lida diretamente com o doente – participam de atividades como fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional. De acordo com o presidente da ABP, Samuel Grossmann, o parkinsoniano não pode esconder a cabeça em um buraco como um "avestruz". "É importante que o paciente conheça a doença e aprenda a entender seus limites e potencialidades", diz. "Ficar sentado o dia todo em uma cadeira, assistindo televisão só piora a doença e a depressão", completa. Mirapex O Mirapex® (pramipexol), produzido pela Pharmacia, é indicado para o tratamento inicial e avançado do Parkinson. Na fase avançada da doença, ele passa a ser associado à levodopa. Estudos comprovam que, quando utilizada na fase inicial da doença, a levodopa pode piorar as complicações motoras do Parkinson em um período de três a seis anos de uso, além de apresentar efeitos colaterais como sonolência, boca seca e alucinações. Além do potencial neuroprotetor, o Mirapex apresenta vantagens com relação à levodopa por diminuir o efeito on/off da doença, ou seja, por tratar-se de uma doença flutuante, o parkinsoniano pode passar de um estado normal, com mobilidade, para a completa imobilidade, parecendo "desligado".
Situação dos idosos fragilizados no domicílio Angela Maria Alvares Profª Dr. do Cuso de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Catarina Coordenadora do grupo de ajuda mútua à familiares de idosos portadores da doença de Alzheimer Atua com idosos desde 1984 Qual a situação dos idosos fragilizados brasileiros no domicílio? A situação do idoso fragilizado que permanece em seu domicílio é bastante preocupante e problemática para as suas famílias. Mesmo naquelas com boas condições financeiras, envolve a busca de recursos fora do orçamento doméstico para o atendimento deste idoso. Geralmente acarreta problemas físicos e emocionais ao familiar responsável, que despenderá tempo e energia com o cuidado deste idoso. Provavelmente ele deixará o emprego, ou então, trabalhará menos horas diárias e dará menor atenção ao restante da família. Em muitos casos são mulheres de meia idade – com filhos e netos – que se vêem obrigadas pelas circunstâncias a cumprir esse papel cuidando de seus pais. Esta situação compromete a dinâmica familiar, embora em muitos casos as pessoas envolvidas reconheçam que essa dedicação ao familiar dependente resulta em satisfação e sintam-se espiritualmente recompensados por este trabalho. Onde eu vejo um problema ainda mais sério, é nas famílias de baixa renda. Elas não têm recursos humanos ou financeiros dentro de casa para o cuidado necessário com o idoso. Não têm a quem recorrer, pois os serviços públicos ainda não possuem serviços ou programas que apóiem essas famílias. Elas fazem o que podem e, muitas vezes, sem condições de cuidar do idoso durante todo dia, são obrigadas a deixá-lo só. Veja, por exemplo, pessoas que sofreram derrames, AVCs, problemas locomotores devido a artrose ou quedas, sem cuidados a reabilitação fica difícil, tornando inviável uma evolução positiva no quadro destes doentes. As famílias pobres também têm mais dificuldade para se engajar em programas de reabilitação, porque isso exige delas um empenho muito grande. O transporte dos idosos até os serviços de saúde pública é o principal problema enfrentado para a recuperação dos doentes acamados. O que você sugere para que este quadro se modifique? Diante da nossa sociedade e da projeção estatística populacional – haverá um grande aumento de idosos no Brasil. Hoje em 9%, ao fim de 20 anos serão 15% de idosos. Isto já demonstra uma grande demanda de serviços de saúde pública, hospitalar e familiar. Então, temos urgentemente que ampliar os serviços públicos para atender esta população. Se para o serviço público atender a população idosa é muito caro e dispendioso, para as famílias também é. O que acontecerá se não houver um movimento ao encontro das necessidades dessas famílias com este idoso doente fragilizado em casa? Ele vai sobreviver em precárias condições vai evoluir para uma morte mais rápida, quando ao contrário, mesmo com limitações, ele poderia viver com qualidade de vida, com atendimento de serviços especializados, com acompanhamento médico, fisioterapêutico e de enfermagem no domicílio. Estes serviços domiciliares deverão ser implementados necessariamente pelo serviço público, principalmente o de reabilitação.
Direito do Idoso: algumas leis que protegem efetivamente os idosos no Brasil Rosilda
Machado da Silva Assistente
Social do Hospital universitário da Universidade Federal de Santa Especialista
em Gerontologia Membro
do Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa,
Ensino e Assistência Geronto-Geriátrico Atua
desde 1989 com idosos. Quais
as Leis que protegem os idosos no Brasil? Para
responder a esta pergunta falarei sobre o direito de família, assistência DIREITO
DE FAMÍLIA As
orientações que faremos será em relação aos procedimentos diante de
fatos Os
idosos podem procurar o Ministério Público para fazerem suas reclamações. Lei
nº. 8842/94, Art.10º, pág.VI - Política Nacional do Idoso Garante
que os cidadãos tenham coragem cívica de denunciar os opressores Código
Civil Art. 258 Quando
o pai ou a mãe viúvo(a) pretende casar novamente, causam algumas Código
Civil mostra outro tópico que defende o interesse familiar "O viúvo A
Lei nº. 6515/77 (lei do divórcio no Brasil) Esta
Lei diz: "homem e mulher podem adotar regime diverso da separação
de DIREITO
A ACOMPANHANTE Mais
recentemente foi conquistado através da portaria GM/MS/N* 280 de
07/04/1999 ASSISTÊNCIA
QUE OS PAIS PODEM SOLICITAR DOS
FILHOS Prestação
de alimentos: Código
Civil Art. 396: podem os
parentes exigir um dos outros os alimentos que necessitam para
subsistir. Constituição
de 1988 Art. 229 : "os
filhos maiores tem o dever de ajudar Como
havia inobservância e desacato à legislação, o Ministério da Justiça Agora
é lei e não obrigação: "A ajuda financeira de filhos em situação
estável Lei
nº. 8648, de 20/04/93: "No caso de pais que, na velhice, carência
ou Os
pais podem ir ao juiz da Vara da Família, reclamar pensão alimentícia. MAUS
TRATOS, ABANDONO E OMISSÃO DE SOCORROS Três
aspectos são considerados como maus tratos: agressividade, negligência A
Lei brasileira incide em penalidade os abusos que constam no Código
Penal. Nos
seguintes artigos e parágrafos. Art.133: "Aquele que deliberadamente abandonar pessoa que
está sob seu Se
ocorrer lesão corporal grave e quando o abandono acontecer em local termo, Art.
135: caracteriza omissão de socorros: "deixar de prestar
assistência, Art.
136: ou, ainda, sujeitando-a a trabalho excessivo e inadequado, como Sobre a formação de recursos humanos na área da gerontologia Profª Dr. Lúcia Hisako Takase Gonçalves Enfermeira do Centro de Ciência da Saúde da Universidade Federal de Santa Catarina Atua com a terceira idade desde 1982 Como está a formação de recursos humanos na área da gerontologia na Universidade Federal de Santa Catarina? A Gerontologia é uma área emergente, pois nós não temos profissionais suficientes para dar conta de uma área tão multi-interdisciplinar. Por isto nós da Universidade Federal de Santa Catarina estamos continuamente oferecendo curso de especialização em Gerontologia com enfoque multiprofissional e interdisciplinar. Já estamos na quinta turma. Nós começamos em 1992. A finalidade deste curso de especialização é de capacitar profissionais que já estão trabalhando na área da gerontologia e outros que pretendem atuar nesta. Nesta especialização temos profissionais de diferentes áreas. É importante formar recursos humanos diversificados, porque a população esta crescendo. O IBGE já nos tem mostrado nos seus dados o aumento cada vez maior da longevidade. As pessoas estão vivendo cada vez mais e com isto esta sendo exigido serviços de diferentes naturezas, e os profissionais são necessários a se envolverem nestes serviços. Esta é uma área promissora para os jovens que estão se formando nas diferentes áreas que precisam se especializar, se atualizar e se expandir na área gerontogeriátrica. Num futuro próximo, será um bom campo de trabalho para os novos profissionais. Três questões
sobre
1. Como vê os atuais programas para a terceira idade? João Toniolo responde
1.
Com muito otimismo, pois, sem dúvida, nos últimos cinco anos
tivemos um significativo aumento dos movimentos envolvendo a terceira
idade em nosso país. A maior parte deles direcionados e relacionados à
melhora da qualidade de vida dessa faixa etária. Mesmo com certo
atraso, a sociedade e o governo têm hoje a clara noção de que nosso país "está
envelhecendo", e medidas efetivas que beneficiem essa parcela da
população devem ser priorizadas. Um exemplo característico disso é a
criação do Dia de Vacinação do Idoso, que é importante para
proteção desses indivíduos contra doenças perigosas para os idosos, como a gripe e a
pneumonia.
2.
Com certeza, pois, ao contrário do que víamos há algumas
décadas, hoje em dia, ao alcançar a terceira idade, os idosos procuram
participar ativamente da sociedade. Como exemplos: reintegrando-se
progressivamente ao mercado de trabalho, procurando reciclar os
conhecimentos, frequentando as inúmeras universidades da terceira idade. Mais recentemente, esses idosos têm
começado a se interessar, inclusive, pela Internet. Estudos recentes
mostram que os idosos passarão a ser os principais consumidores em
países mais desenvolvidos e no Brasil nas próximas décadas, passando
da terceira idade para a chamada "idade do poder.
3.
A progressiva melhora do conhecimento científico, juntamente com
o aumento da expectativa de vida, vai sem dúvida favorecer essa parcela
da população, de modo que viva mais e melhor. Como tendência atual, a
geriatria preocupa-se muito mais em cuidar da saúde, em vez de somente
tratar de doenças. Portanto quanto maior o conhecimento, principalmente, no
referente a medidas de prevenção, a tendência é poder viver mais e
com maior participação ativa dentro da sociedade. Cada vez mais
notamos nas nossas universidades um crescente interesse dos diversos
profissionais em se aperfeiçoar na área do envelhecimento.
Guita Debert
responde
1.
Essa expressão e os movimentos que se organizam em torno dela
indicam mudanças radicais no envelhecimento, que deixa de ser
compreendido como decadência física, perda de papéis sociais e
retraimento. O número de programas para a terceira idade no país -como os grupos de
convivência, as escolas abertas e as universidades- cresceu de maneira
impressionante. Neles, as etapas mais avançadas da vida são consideradas momentos
propícios para novas conquistas, guiadas pela busca do prazer e da
satisfação pessoal. As experiências vividas e os saberes acumulados são ganhos que
oferecem oportunidades de realizar projetos abandonados em outras
épocas e estabelecer relações mais profícuas com o mundo dos mais
jovens e dos mais velhos. Encorajando a busca da auto-expressão e a exploração de
identidades de um modo que era exclusivo da juventude, esse movimento
está abrindo espaços para que a experiência de envelhecimento possa
ser vivida de maneira inovadora. Contudo o nosso entusiasmo com a terceira idade e o
sucesso desse movimento não podem impedir o reconhecimento da
precariedade dos mecanismos de que a sociedade brasileira dispõe para
lidar com a velhice avançada, com as situações de abandono e de dependência, com a perda das
habilidades cognitivas, físicas e emocionais que acompanham o avanço
da idade.
2.
O idoso é, sem dúvida, um novo ator, com presença marcante nos
debates sobre políticas públicas, nos programas dos partidos e nas
campanhas eleitorais. Além disso, esse segmento da população é formado de consumidores
importantes que contam na definição de novos mercados. Nos momentos de
crise e de altas taxas de desemprego, a garantia de uma renda mensal,
mesmo quando o valor da aposentadoria é muito baixo, amplia as trocas entre gerações na
família, transformando os mais velhos num esteio econômico para as
gerações mais jovens.
3.
As ciências sociais são instrumento imprescindível na
caracterização da diversidade de situações vividas pelos mais velhos
e na legitimação de suas demandas. As biotecnologias -com sua
capacidade crescente de substituir funções e consertar partes do corpo- e as tecnologias de
informação -ampliando a capacidade humana de comunicação no tempo e
no espaço- dão certamente uma nova qualidade de vida à velhice. Esses
progressos, contudo, não podem levar os especialistas a considerar que
a decadência física pode ser combatida eternamente, pois há limites
para a plasticidade do corpo.
Quem são
Guita Grin Debert
*Texto extraído do cadermo Mais da Folha de São Paulo |
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